Cuidar das finanças na terceira idade vai muito além de cortar gastos: envolve adaptar o orçamento a uma nova realidade de renda, lidar com o aumento das despesas com saúde e se proteger de riscos financeiros que afetam esse grupo de forma desproporcional. Uma pesquisa da Serasa com o instituto Opinion Box revelou que 46% dos aposentados sentiram maior instabilidade financeira após deixar o mercado de trabalho — e que metade já recorreu a crédito para pagar despesas básicas. Esse cenário mostra que o planejamento financeiro na terceira idade é uma necessidade concreta, não um luxo.
Ao longo deste artigo, você vai encontrar orientações sobre como montar um orçamento que funcione para quem já se aposentou, direitos financeiros garantidos por lei que muita gente desconhece, formas de gerar renda extra, estratégias para se proteger de golpes digitais cada vez mais sofisticados e o papel que a família pode ter nesse processo — sem tirar a autonomia de ninguém.

Finanças na terceira idade: como montar um orçamento que funcione
Antes de pensar em investimentos ou renda extra, o primeiro passo para organizar as finanças na terceira idade é ter clareza sobre o que entra e o que sai da conta todo mês.
Mapeie todas as fontes de renda e despesas do mês
O ponto de partida de qualquer orçamento é ter uma visão completa da situação financeira atual. Isso significa listar todas as fontes de renda — aposentadoria pelo INSS, previdência privada, aluguéis, pensões ou qualquer outra entrada — e categorizar as despesas por tipo.
Uma forma prática de fazer isso é dividir os gastos em grupos:
- Moradia (aluguel, condomínio, IPTU, manutenção)
- Saúde (plano de saúde, medicamentos, consultas)
- Alimentação e mercado
- Transporte
- Lazer e cultura
- Gastos variáveis e imprevistos
Para registrar essas informações, um caderno, uma planilha no computador ou um app de controle financeiro no celular funcionam bem. O mais importante é que o registro seja feito com regularidade — de preferência toda semana — para que os números reflitam a realidade do mês.
Identifique gastos recorrentes que podem estar passando despercebidos
Uma das armadilhas mais comuns nas despesas de quem já se aposentou são os gastos que continuam saindo da conta sem que a pessoa perceba. Assinaturas de streaming que não são mais usadas, seguros duplicados, tarifas bancárias desnecessárias e parcelas de compras feitas há muito tempo são exemplos frequentes.
Revisar o extrato bancário e a fatura do cartão de crédito com regularidade pode revelar cobranças que passam despercebidas por meses. Ao identificar esses gastos, vale avaliar quais deles trazem valor real e quais podem ser cancelados sem prejuízo à qualidade de vida.
Direitos financeiros de pessoas idosas que muita gente desconhece
O Estatuto da Pessoa Idosa e outras legislações brasileiras garantem uma série de direitos financeiros que podem aliviar o orçamento — mas que nem sempre são divulgados de forma acessível.
Isenções e descontos garantidos por lei
Conhecer os próprios direitos é uma forma concreta de controlar gastos sem abrir mão de nada. Entre os direitos mais relevantes para pessoas com 60 anos ou mais:
- Gratuidade no transporte público coletivo a partir dos 65 anos (garantida pela Constituição Federal)
- Meia-entrada em eventos culturais, esportivos e de lazer para maiores de 60 anos
- Prioridade na restituição do Imposto de Renda
- Isenção de IPTU em alguns municípios (as regras variam por cidade — vale verificar na prefeitura local)
- Isenção de IR sobre rendimentos de aposentadoria para pessoas com doenças graves listadas em lei, como câncer, cardiopatia grave e Parkinson
- Faixa de isenção extra de IR sobre parcela da aposentadoria para maiores de 65 anos
Esses direitos existem, mas nem sempre chegam de forma automática. Em muitos casos, é preciso solicitá-los com documentação específica.
Benefícios do governo para quem tem mais de 60 anos
Além das isenções, há benefícios governamentais que podem complementar a renda ou reduzir despesas essenciais. O BPC/LOAS (Benefício de Prestação Continuada) garante um salário mínimo mensal para pessoas idosas com 65 anos ou mais que não contribuíram com o INSS e se enquadram nos critérios de renda familiar.
Outros programas que merecem atenção incluem a Tarifa Social de Energia Elétrica, que reduz o valor da conta de luz para famílias de baixa renda, e a Farmácia Popular, que oferece medicamentos gratuitos ou com desconto para uma série de condições crônicas. Para quem tem dúvidas sobre como acessar esses benefícios ou precisa de orientação sobre direitos específicos, o CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) e a Defensoria Pública são pontos de apoio gratuitos e acessíveis.
Dicas práticas para gerar renda extra após a aposentadoria
A aposentadoria não precisa significar o fim das possibilidades de renda extra. Há alternativas adaptadas à realidade de pessoas na terceira idade que combinam flexibilidade com aproveitamento da experiência acumulada ao longo da vida.
Algumas opções que costumam funcionar bem nessa fase:
- Consultoria ou trabalho freelance na área de atuação profissional anterior
- Artesanato, culinária ou outros produtos vendidos em marketplaces como Elo7 ou Instagram
- Aluguel de imóveis ou de cômodos por temporada
- Aulas particulares presenciais ou por videoconferência em áreas de conhecimento consolidado
- Investimentos com renda passiva, como Tesouro Direto com juros semestrais, fundos imobiliários (FIIs) e CDBs com liquidez diária
Vale lembrar que, no caso dos investimentos, os resultados variam conforme o perfil de cada pessoa e as condições do mercado. Consultar um profissional de investimentos antes de tomar decisões pode ajudar a escolher as opções mais alinhadas aos objetivos e à tolerância ao risco de cada um.
Para organizar essas entradas extras, contas digitais podem ser uma aliada prática. Como exemplo, o app do Mercado Pago oferece rendimento automático sobre o saldo mantido na conta, o que pode ser útil para quem quer que o dinheiro parado renda enquanto não é utilizado.

Proteção financeira: como evitar golpes e fraudes na terceira idade
Pessoas na terceira idade estão entre os alvos mais frequentes de fraudes financeiras no Brasil, e conhecer os golpes mais recorrentes é o primeiro passo para se proteger.
Golpes mais comuns contra pessoas idosas no Brasil
Os criminosos costumam explorar a confiança e, em alguns casos, o menor contato com o ambiente digital para aplicar fraudes. Os mais recorrentes incluem:
- Crédito consignado não solicitado: ligações e mensagens oferecendo empréstimos com condições vantajosas, que na prática resultam em descontos automáticos no benefício do INSS
- Falsos funcionários de banco que entram em contato pedindo senhas, dados do cartão ou acesso ao aplicativo
- Golpes via WhatsApp, incluindo clonagem de conta e pedidos de Pix em nome de familiares
- Boletos falsos enviados por e-mail ou mensagem, com dados bancários trocados
- Sites fraudulentos que imitam portais de bancos ou do governo para capturar dados pessoais
Hábitos de segurança para proteger seu dinheiro
A proteção financeira começa com alguns hábitos que, uma vez incorporados à rotina, reduzem bastante o risco de cair em fraudes:
- Nunca compartilhar senhas, códigos de verificação ou dados bancários por telefone, mensagem ou e-mail
- Desconfiar de ofertas com urgência excessiva ("só hoje", "última chance", "sua conta será bloqueada")
- Antes de fornecer qualquer dado, confirmar a identidade de quem entrou em contato ligando diretamente para o número oficial da instituição
- Ativar a autenticação em dois fatores nos apps bancários e de pagamento
- Pedir a opinião de uma pessoa de confiança antes de assinar qualquer contrato financeiro
Um ponto importante: bancos e instituições financeiras legítimas nunca pedem senha por telefone. Essa é uma regra sem exceção — e lembrar disso pode evitar prejuízos sérios.
O papel da família na gestão das finanças para a terceira idade
Conversar sobre dinheiro em família ainda carrega um certo tabu no Brasil, mas o diálogo aberto sobre finanças pode prevenir problemas sérios — de endividamentos acumulados a golpes que poderiam ter sido evitados com uma segunda opinião. Quando a família participa de forma respeitosa dessa conversa, o resultado costuma ser mais segurança para todos.
Uma prática que pode ajudar é estabelecer reuniões com regularidade para revisar o orçamento em conjunto, verificar se os benefícios estão sendo recebidos corretamente e discutir qualquer mudança financeira relevante. Também vale definir uma pessoa de confiança — dentro ou fora da família — para acompanhar as movimentações bancárias e servir de referência em decisões mais complexas. O planejamento sucessório, que inclui testamento, inventário e seguros de vida, é outro tema que ganha quando tratado com antecedência, antes que situações de urgência dificultem as escolhas.
O objetivo de todo esse envolvimento é colaboração, não controle. A pessoa idosa deve manter o protagonismo sobre suas decisões financeiras — a família entra como suporte, não como tutora. Esse equilíbrio, quando bem estabelecido, fortalece a autonomia e reduz a vulnerabilidade a situações de risco.
Perguntas frequentes sobre finanças para a terceira idade
Qual é o primeiro passo para organizar as finanças na terceira idade?
O ponto de partida é mapear todas as fontes de renda e listar todas as despesas do mês, separando-as por categoria. Com essa visão clara, fica mais fácil criar um orçamento que reflita a realidade atual — considerando tanto a aposentadoria quanto os gastos com saúde e outros compromissos fixos.
Quais investimentos podem ser mais adequados para pessoas na terceira idade?
Em geral, opções com menor risco e boa liquidez — como Tesouro Direto, CDBs e fundos imobiliários — costumam ser consideradas mais compatíveis com essa fase da vida. A escolha ideal depende do perfil e dos objetivos de cada pessoa, por isso consultar um profissional de investimentos pode fazer diferença antes de tomar qualquer decisão.
Pessoas idosas têm direito à isenção de Imposto de Renda?
Aposentados com doenças graves listadas em lei — como câncer, cardiopatia grave e Parkinson — podem ter isenção de IR sobre os rendimentos de aposentadoria. Além disso, maiores de 65 anos contam com uma faixa de isenção extra sobre uma parcela do benefício. Em ambos os casos, é necessário solicitar o benefício com a documentação adequada.
Como proteger uma pessoa idosa de golpes financeiros?
O cuidado mais importante é nunca compartilhar senhas ou dados bancários por telefone, mensagem ou e-mail — independentemente de quem diz estar do outro lado da linha. Ativar a autenticação em dois fatores nos apps bancários e envolver uma pessoa de confiança nas decisões financeiras mais relevantes são medidas que aumentam bastante a segurança.
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Organizar as finanças na terceira idade é um processo contínuo — e cada passo dado nessa direção traz mais tranquilidade e autonomia para o dia a dia. Se você quer ter mais controle sobre as suas movimentações financeiras, o app do Mercado Pago pode ser um ponto de partida prático: além de permitir o acompanhamento do saldo e das transações em tempo real, oferece rendimento automático sobre o valor mantido na conta. Vale explorar a conta digital e ver como ela se encaixa na sua rotina financeira.
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